Unidas Somos Mais: Mulheres Negras na Luta contra as Opressões

Ana Lucia Lima dos Santos

09/10/2018

Oficina Fundação Angélica Goulart

As mulheres exercem pouco a sua representatividade política na cidade e os poucos avanços de alguns setores expõem o abismo ainda existente na relação de espaços conquistados entre mulheres e homens, principalmente quando consideramos as mulheres negras. Por outro lado, nas redondezas das Vargens, há muitas mulheres que lutam por mais poder na sociedade, que lutam todos os dias por mais espaço e que possuem um olhar atento para essa questão.

No Projeto “Convergência Política nas Vargens: O Empoderamento de Mulheres e Jovens” foram mulheres como Mara Bonfim, Maraci Soares, Ana Santos, Silvia Baptista, Hérica Simone, Marina Ribeiro que conduziram as diversas oficinas (de horta urbana, de culinária, de educomunicação, de expressão corporal, de formação antimachista e antirracista) realizadas com os jovens. Todas eram mulheres negras. Todas eram mulheres negras em lugares de poder, de saber. Isso foi muito importante porque não é sempre que vemos mulheres negras nesse lugar. Além delas, também participaram das oficinas, Mariana Bruce, Giovana Berti, Dona Cristina que não eram negras de pele, mas, sim, de sangue. Todas são grandes mulheres, que lutam todos os dias pelo nosso lugar na sociedade.

Com essas mulheres, aprendi a ter outro pensamento. Aprendi que devemos nos alimentar melhor. Aprendi que muitos alimentos que nós gostamos muito e que nos deliciamos no nosso cotidiano tem um monte de agrotóxicos. Aprendi que muitas vezes a gente acha que está comendo alimentos saudáveis, mas não estamos, pois as verduras, legumes e frutas contêm agrotóxicos e isso quer dizer que, sem nos darmos conta, acabamos consumindo mais veneno. Com essas grandes mulheres, aprendi que nós devemos (e podemos) plantar e colher nosso próprio alimento em qualquer canto que seja: no quintal, na laje, na parede. Aprendi a fazer uma horta e cuidar dela. Aprendi muito com a história de vida da Dona Cristina Correa e do Seu Jorge Cardia, pois é um casal muito guerreiro de agricultores, que vive na floresta do maciço da Pedra Branca e que luta todos os dias para produzir um alimento limpo e para que suas práticas sejam mais valorizadas.

Hoje, existem vários projetos que já são comandados por mulheres. Hoje, as mulheres ocupam lugares nos quais não costumavam ser respeitadas e nem aceitas, como na política, nas hortas e nas grandes empresas com grandes cargos. Hoje, vemos muitas mulheres ocupando cada vez mais espaço. Contudo, é sempre importante lembrar que o espaço da mulher negra, embora seja muito importante, ainda é pouco reconhecido. Há muita coisa que ainda precisa ser mudada na sociedade, pois, apesar de tantos avanços, as mulheres negras, jovens e lésbicas ainda ganham menor salário, são elas que possuem os maiores índices de analfabetismo e as que têm o maior índice de violência doméstica. E isso é um preconceito enorme. O que eu pude ver no Projeto Convergências é uma parte dessa história de superação dessa realidade, de conquistas, mas ainda há muito pelo que lutar.

Antigamente, a mulher era só submissa ao homem, não tinha a voz e nem poder nenhum. Os tempos mudaram. Todos os dias, há uma grande luta e, aos poucos, nós mulheres estamos vencendo. Por isso, nós devemos nos manter unidas nessa luta e, cada dia, conquistar mais espaço, pois unidas somos mais.

A autora é aluna de ensino médio; É Bolsista de Iniciação à Pesquisa Militante. Integra o Projeto “Convergência Política nas Vargens: O Empoderamento de Mulheres e Jovens” (Coletiva Hortelã / C.E. Teófilo Moreira da Costa / UFRRJ / FASE-SAAP)

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