Ao solo da terra preta

Saney Souza

23/07/2017

saney violãoA terra
O solo
O que tiramos dele?
O que deixamos nele?
Enterra-se mudas
Colhe-se alimento
Enterra-se dor
Colhe-se sofrimento
O mesmo solo de terra preta
O mesmo solo da mãe preta
Que se alimenta contemplando a vida
Que chora e não vê secar a ferida

O mesmo chão que aglutina alegrias
O mesmo chão que não se vê saídas
Olhando para as árvores eu respiro feliz
Olhando pro sangue eu me revolto e não revido.
Por um triz…

Como pensar?
Gente planta
Gente morre
Gente se alegre
Gente sofre
Todo dia, toda hora …
Como?

Nota: Essa poesia nasceu no dia 19/07/2017, um dia frio e chuvoso no invernico carioca. Foi produto de um momento de construção teórica e de convergência. Dialogávamos sobre uma possível romantização das lutas da agroecologia diante da violência estrutural do capital. Um dia antes tínhamos participado de um evento na Maré onde as lutas de enfrentamento às violências apareceu com força. Literalmente assistimos essa poesia nascer. A Roda de Mulheres da Rede Carioca de Agricultura Urbana está participando do Julho Negro – 25 dias de ativismo em torno do Dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha celebrado no dia 25 de julho de cada ano.

A autora é mãe do Zayon em tempo integral. É pensadora, pesquisadora da Militância Investigativa, saxofonista, violonista, musicista com mais de 10 anos de formação. É trabalhadora da assistência social carioca. Nas horas vagas escreve.

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