Variedade de alimentos na Feira da Roça de Vargem Grande

Tomates de um quintal de Vargem Grande
Tomates de um quintal de Vargem Grande
Tomates de um quintal de Vargem Grande

A Feira da Roça nasceu nas Vargens com alguns objetivos básicos. O principal é contribuir com a soberania e segurança alimentar de seu território de abrangência. Para atingir este objetivo mais geral tem como foco a sua comunidade tradicional, composta por quilombolas, por sitiantes e pessoas vinculadas à agricultura pelo cultivo ou pelo consumo responsável.

Seja em quintais, em pequeníssimos espaços ou em lavouras mais extensas, Vargem Grande, como toda a Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, produz alimentos de qualidade. Uma parte considerável das pessoas que plantam comida neste lugar nasceu no próprio bairro. Outras vieram de estados próximos e até do nordeste. Na segunda metade do século passado, com a lavoura em alta, muitos migraram para trabalhar nestas extensas hortas, laranjais que existiam nesta região da cidade.

Ainda nos anos noventa, final do século XX, a agricultura fazia parte dos programas governamentais, como se pode ler em documentos oficiais escritos pela prefeitura do Rio. Com a mudança de projeto para esta região, as grandes hortas e lavouras das várzeas foram se extinguindo. Davam lugar aos condomínios, à impermeabilização do solo e ao expressivo cultivo de plantas ornamentais considerado mais lucrativo.

Uma  recente valorização da agricultura local veio do avanço da agroecologia, uma ciência que se faz em íntima relação com a experiência de agricultoras e agricultores tradicionais. Para agroecologia, produzir sua comida  é como “plantar seu próprio dinheiro”. Cultivar alimento é prioridade dos territórios. Este “bem”, no entanto, não é hegemônico na sociedade. Como podem observar, há outros valores sendo difundidos com muita velocidade. Alguns deles bastante mercantilizados e tem no papel moeda o seu principal meio de difusão. Estas escolhas individuais e coletivas, governamentais ou não tem levado as cidades à excessiva e perigosa dependência externa.

Para o campo da agroecologia, algumas consumidoras e consumidores se organizam para fazer diferença. Através de seu poder de compra apoiam a agricultura local. Escolhem comprar um produto de época. Fazem opção por produtos que sejam locais, que tem uma baixa queima de combustível fóssil em seu trajeto entre lavoura e sua cozinha. Seria um “carbon free” associado a zero agrotóxico e livre de transgênicos. Compram direto de quem produz, aumentando o ganho e o incentivo às agricultoras e aos agricultores.

Isto significa organizar o seu cardápio para o alimento disponível. Sabem que alimentos agroecológicos obedecem ao ciclo da terra e do território. Abacaxi, caqui, fruta pão dentre outros produtos agrícolas tem sua safra reduzida a uma parte do ano. Quem exige comer qualquer coisa em qualquer época está cooperando com o uso de agrotóxicos, com a lixiviação do solo, comprometendo a terra. Está destruindo a “mãe-terra”.

O consumo ético e responsável objetiva a defesa agroecológica de seu território recortado. Cada pessoa pode e deve fazer suas próprias escolhas. E, ao optar pelo consumo local pode “reanimar” a agricultura tradicional de seu próprio bairro.

Uma das queixas em relação à Feira da Roça de Vargem Grande é que falta variedade. Será mesmo? É um ponto de vista. Algumas de nós sentíamos falta de verduras orgânicas. Estamos na luta para incentivar a produção local de hortaliças. Sabemos que algumas pessoas já voltaram a produzir para venda local. E agora esta produção já está na Praça José Baltar, o largo de Vargem Grande. Vejam por exemplo na foto principal os tomates da primorosa agricultura urbana da Maria Rosa. Tinha que ter nome de flor. Pedro Mesquita tem levado verdura todos os domingos e essa produção precisa ser valorizada.

Agricultora e agrônoma juntas na Coletiva Hortelã
Agricultora e agrônoma juntas na Coletiva Hortelã

Nesta direção, em parceria com a Eliane Velozo, a agrônoma Renata Souto e a agricultora urbana Maria do Céu Simões a mulherada está tocando a Coletiva Hortelã. Partindo de um conjunto de cinco oficinas apenas para mulheres foi criado um grupo autogestionário para cultivo de hortaliças e incentivo à produção dos quintais.

Sabendo que há um custo para esta implantação convidamos a comunidade a uma ação de consumo responsável. Primeiro continuar apoiando a Feira todo o domingo. Busquem as novidades que se encontram em cada barraca. Cada domingo é diferente do outro. A segunda ação é encomendar, pedir para entregar. Fazer uma aliança para que cada alimento plantado nas Vargens seja consumido aqui, o mais breve possível. Não vai sobrar tomate na feirinha. Não vai sobrar verduras. Participe em defesa da nossa soberania alimentar.

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