A salada de frutas do Gegê e a “banana do morro”

O economista Gegê: Boa é a banana do morro!
O economista Gegê: Boa é a banana do morro!
O economista Gegê: Boa é a banana do morro!

Hoje tive o prazer de conhecer o Gegê. Ele vende salada de frutas e sorvetes na Praça Seca, ao lado da Caixa Econômica. Em nossa conversa, ele conta que é economista e até se aventurou em uma pós-graduação no CPDA/UFRRJ, mas o trabalho não permitiu levar o projeto adiante. Seu carrinho é extremamente organizado, as frutas e sorvetes são armazenados separadamente e ele vai oferecendo as porções aos fregueses: “manga?, melancia? mamão? banana?” Vejo a banana em rodelas bonitas e pergunto qual o segredo para ela não escurecer. Ele então responde que é a qualidade da banana. Ontem mesmo, diz ele, a banana não era boa, escureceu e deixou a minha salada feia. Gegê então completa: “a banana boa é a banana do morro, que compro daquele senhor que vende na feira da Praça Seca, ao lado do moço do coco. Esta banana vem do Recreio, não leva carbureto e mesmo verde não tem cica. A Banana que vem do Pau da Fome, Vargem Grande, Piabas é da melhor qualidade.”

Sorri e percebi que ele estava falando da banana do Sertão Carioca. Esta banana – também chamada de banana da roça, arranhada, do morro – ocupa um lugar de respeito nos mercados locais. É identificada por consumidores especializados e suas qualidades estão vinculadas aos produtores e seus lugares. E naquela confusão da Praça Seca frente às desterritorializações do BRT e outras intervenções da Prefeitura, fiquei pensando no papel da comida na construção de nossos vínculos com a localidade e com a cidade. Apesar de nossas mazelas urbanas e da imposição de comidas ultraprocessadas, no Rio de Janeiro, assim como em muitas outras cidades do Brasil, ainda podemos tomar um suco de laranja fresca no botequim, comer uma fatia de abacaxi na rua ou comer a banana do morro em uma esquina da Praça Seca. Parabéns Gegê, você e sua salada de frutas deixam esta cidade mais humana.

 

 

 

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