Gaúcho e as ervas de banho

13-09-15 Pmeds Fafre (15) gaúchoGaúcho, como é chamado Washington Adan, produz plantas medicinais em sua propriedade e comercializou durante um ano na Feira Agroecológica da Freguesia (FAFRE). É uma dessas personalidades tranquilas e perspicazes, que fala pouco e apenas quando se faz necessário. Além disso, realizou oficinas sobre plantas medicinais para coletivos do Projovem sediados em um CRAS (Centro de Referência de Assistência Social).

Quando o conheci, falávamos em divulgação para as plantas medicinais da feira. O que para ele é a discussão do produto de seu trabalho. Diferente de outros produtores orgânicos que negociam entre produtos diversos, plantas medicinais. Gaúcho se dedica apenas a este tipo de produção. Que envolve alguns problemas que ele mesmo me apresentou neste dia, vender a planta in natura ou beneficiada? A primeira opção significa que o que for exposto e não for vendido, na maioria das vezes terá que ser descartado, a segunda alternativa que uma grande quantidade deverá ser beneficiada para gerar ao final pó, tintura, pasta, em porções menores.

No caso de se beneficiar o produto, uma série de condições técnicas devem ser consideradas, material utilizado, higienização, ferramentas, e o elemento principal, viabilidade. Ou seja, investindo muita matéria prima para obter pouco produto final, será que o preço pago compensaria? Será que existe uma demanda grande por este tipo de produto na feira?

Outro problema seria, para que público direcionar esta divulgação, pessoas que buscam ervas de banho para rituais religiosos, e já são clientes frequentes, ou outro, um público potencial que poderia ou não, se interessar pelas ervas. Essa foi uma pergunta que ele ainda não iria responder objetivamente. O público cativo era importante, mas ao mesmo tempo com uma relação constante e periódica de trocas de informações e negociação. Enquanto essa possibilidade de abrangência dependia de novos mecanismos de credibilidade.

Por isso mesmo, seu modo de trabalhar difere, ele não vende apenas uma erva ou planta. Ele esclarece e indica possibilidades de tratamento, com os remédios caseiros. O cliente muitas vezes não sabe exatamente o que procura, ou como usar. Então para ele o mais importante é passar confiança e credibilidade. Para que o cliente seja capaz de usar as plantas conforme deveriam ser utilizadas.

Quando ele me apresentou algumas de suas ervas expostas pediu que eu cheirasse ou tocasse as plantas conforme falava delas, oferecia um ramo ou folha amassada. Sua funcionalidade, característica, contraindicação, receitas. Em algum momento ele me entregou uma pequena flor amarela e disse “essa flor as pessoas usam quando estão com dor de dente, porque amortece a área em que se mastiga. Mastigue.” (Washington, mai. 2014)

Depois disso continuou suas explicações por um tempo, parou olhou para minha mão e continuou falando:  “…essa é a importância de parceria, tem alguém ou alguma instituição por trás que diga que você está certo no que faz. Para que as pessoas confiem no que você diz. Veja, eu disse para você mastigar a flor e não mastigou.” (Washington, mai. 2014)

Então me dei conta de que ele estava absolutamente certo, naquele momento falava de uma parceria entre os produtores e a Universidade Rural, a Fiocruz mediada pelo Programa Profito. Ele falava sobre o reconhecimento da especificidade de seu trabalho e seu conhecimento sobre as plantas. E que isso era parte da importância e da função de uma possível divulgação de seu trabalho nas feiras.

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